Ciederpaz: Igrejas e organizações étnico-territoriais constroem paz, desenvolvimento e reconciliação no sul de Chocó

O meu sócio aqui em Chocó, a Igreja Irmãos Menonitas, participa na Corporação Inter-étnica e Ecumênica pelo Desenvolvimento, a Reconciliação e a Paz territorial. Ciederpaz é uma iniciativa de igrejas, organizações étnico-territoriais e outras entidades locais e nacionais “com o objetivo de criar um espaço de articulação para unir esforços encaminhados ao etno-desenvolvimento, reconciliação e paz territorial no sul de Chocó, visibilizando os distintos problemas da região e fazendo incidência política ante as instituições do Estado.”

Ciederpaz une as sub-regiões do San Juan, Baudó, San José del Palmar e Costa Pacífica e tem seis linhas de trabalho: Direito às vítimas, pedagogia pela paz, garantias para a participação cidadã, produtividade enfocada no etno-desenvolvimento e o cuidado do meio ambiente, reconciliação e comunicação em terreno.

Eu participei em algumas mesas de trabalho de Ciederpaz e me parece uma iniciativa muito importante para a construção de paz aqui na região. Para aprender um pouco mais sobre o trabalho que faz, falei com duas pessoas que participam em Ciederpaz desde sua formação em 2016: Gloria Gomez, que trabalha com a Câmara de Comércio em Istmina, e o Pastor Rutilio Rivas, diretor de Fagrotes, Fundação Agropecuária Tecendo Esperança, da Igreja Irmãos Menonitas à qual eu acompanho como Semillera.

O Pastor Rutilio considera que Ciederpaz “é uma experiência maravilhosa de paz. Apesar das diferenças, é possível nos sentar juntos e sonhar juntos.” Gloria também expressou que se sente motivada de participar em Ciederpaz porque acha que “é possível construir um país em paz. Não é fácil, mas se todos trabalharmos unidos é possível que melhoremos.”

Ciederpaz organiza diferentes workshops e mesas de trabalho enfocadas nas seis linhas de trabalho. Gloria explicou que uma das metas é “capacitar” líderes a propiciar o desenvolvimento das suas próprias comunidades e fortalecer capacidades para o diálogo social e a participação política da instituição local com organizações étnico-territoriais e da base.”

Com o apoio de CCM, Ciederpaz também participou numa visita humanitária em agosto a comunidades do Alto Baudó, uma região de Chocó que é muito afetada pela violência. “Nos reunimos com a comunidade, sentamos juntos para comer arroz, fazer um almoço comunitário e estar com pessoas apesar das diferenças,” disse Pastor Rutilio.

Ciederpaz também serve como uma plataforma social para o tema de socialização do processo de paz, a implementação dos acordos com as FARC e o diálogo com o ELN. E logrou reconhecimento ao nível nacional como PDP (Programa de Desenvolvimento e Paz).

Ambos Gloria e Rutilio expressaram que uma das fortalezas de Ciederpaz é que cada instituição e organização que faz parte é autônoma. Como diz Gloria, “Ciederpaz reúne diferentes pensamentos. Da mão de todos, é possível construir metodologias para a construção de paz e ir reconciliarmos um com outro. Não se pode esquecer da guerra, mas podemos avançar no tema de reconciliação. Ciederpaz permite que as organizações avancem e cresçam no seu desenvolvimento social.”

O fato do que a igreja evangélica, a igreja católica, grupos indígenas e afros e outras entidades locais e nacionais, cada um com uma perspectiva e experiência diferente, podem sentar juntos e trabalhar juntos para construir uma sociedade melhor me inspira e para mim é uma demonstração de que a paz sim é possível. 

Por: Carrie Vereide