Onde e Qual é minha comunidade? Ou Por que ser Perfeccionista, Ter Licenciatura em Filosofia e Não Falar Espanhol Pode Ser um Problema na Colômbia.

Com Bogotá para atrás e comunidades a frente,

@s Semiller@s foram espalhados por diferentes partes da Colômbia

 – eu fui para Chocó –

com uma pequena tarefa em mãos: conhecer a minha comunidade.

 

Simples, não?

 

Simplesmente não!

 

Quer dizer, o que é mesmo uma comunidade?

É um grupo de pessoas que vivem juntas em um lugar específico?

Ok então, mas onde e qual é a minha comunidade?

É uma cidade em específico e o seu povo (ou pelo menos uma parte dele)?

Porque …

minha casa é em Andagoya,

os dois escritórios onde trabalho são ambos em Istmina,

E eu geralmente visito a fazenda do projeto agrícola em San Antonio.

E não é só isso…

Passei um bom tempo em Bebedó, Dipurdú, El Tigre, San Miguel e em outros lugares

   que fazem parte do projeto agrícola;

Visitei Las Animas, Primavera e outros lugares acompanhando o ministério social da

Igreja Irmãos Menonitas;

Frequento igrejas em Andagoya, Istmina, Condoto, Iro e Suruco, uma lista que tende a

aumentar nas próximas semanas e meses.

Mas então:

Seria uma dessas a minha comunidade?

Seriam todas essas a minha comunidade?

Seriam algumas, mas não todas?

Ou além dessas, teria mais alguma?

 

Ah, e eu percebo que esqueci um ponto-chave:

Onde vivo e com quem eu vivo

– Essa é a minha comunidade!

 Provavelmente isso vai ajudar a diminuir minhas opções…

 

Bom, mas o que de verdade significa viver em um lugar com pessoas?

Seria onde uma pessoa passa suas noites?

Porque desde que saí de Bogotá, seis semanas atrás,

dormi em Istmina na primeira semana,

passei algumas noites em Bebedó,

e até acampei em Pereira por quase uma semana,

e Pereira nem faz parte de Chocó!

Compartilhar refeições seria um fator crucial?

Porque como sozinho na maioria das vezes.

E apesar de ter sido generosamente abençoado com muita comida em Andagoya,

eu também dividi refeições com pessoas de QuibdoCondoto,

Istmina e San Miguel.

E aparentemente eu comi em Paimadó,

apesar de não lembrar desse lugar.

Talvez a resposta seria passar o tempo com as pessoas, compartilhando experiência de vida.

Mas quanto tempo isso leva?

E a localização?

Por duas vezes eu passei alguns dias com pessoas diferentes de Basurú e Novita,

apesar de ainda nunca ter visitado esses lugares!

 

Onde ou qual é a minha comunidade,

se é onde me colocam, ou escolho ou descubro,

 preciso confessar que

simplesmente não sei.

 

Ainda assim minha ignorância está longe de ser o único problema que dificulta a minha missão,

Nesse exato momento estou começando a conhecer minha comunidade

– seja lá qual ou onde for –

mas meu espirito aventureiro já está morrendo.

Estou cansado de falar como um idiota e de não entender as pessoas.

Me pego frequentemente evitando interações que me obrigam a usar espanhol,

 Apesar de saber que se continuar falando e ouvindo espanhol,

em breve não vou mais falar como idiota,

mas ser efetivamente um idiota.

É que é tão difícil encarar o fato de ser tão óbvio que

sou                                                                                                                                      de fora;

que a minha comunidade

– seja lá quem ou onde for –

não é realmente “a minha” comunidade,

 Que se minha pele branca e meus olhos azuis não me entregam imediatamente,

 minha incapacidade de compreender a língua logo me entregará.

Esta falta de comunicação não só me impede de conhecer minha comunidade

 – seja lá quem ou onde for –

mas também de ser conhecido por el@s,

e isso é uma luta com o meu ego.

Mas é assim que tem que ser?

E será sempre assim?

Será que vou perder o meu desejo de perfeição que nesse momento me impede de alcançar a mediocridade?

Posso deixar que minhas experiências em Choco sejam ditadas pela humildade e disciplina, ao invés do orgulho e do medo?

Eu simplesmente não sei.

 

Traduzido por: Carolina Gouveia

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