A Beleza e os Desafios de Dntender uma Nova Comunidade

A primeira vez que vim à Istmina, Chocó, em abril de 2016 por duas semanas, já me perguntava como iria me adaptar e integrar esta nova comunidade. Naquela época, estava experimentando muitas mudanças em minha vida e a ideia de me integrar à uma nova comunidade em Chocó que já estava esperando por mim me intimidou.

Agora já tenho dois meses morando, servindo, acompanhando e apoiando os sócios da Comissão Central Menonita (MCC) em Chocó. Apesar de não ser muito tempo, quero compartilhar a beleza e os desafios de aprender a viver em uma nova comunidade, o que acaba sendo uma combinação dos valores da comunidade e de coisas particulares que me chamaram a atenção durante meu tempo em Istmina.

Em pouco tempo já aprendi muito sobre Istmina e suas comunidades vizinhas (como San Antonio e Bebedó) com enfoques dos membros da comunidade. Por exemplo, aprendi sobre Istmina através de conversas informais com crianças brincando nas ruas, com as mulheres que trabalham em fazendas de cacau, empresários e empresárias no centro comercial, senhores e senhoras das Igrejas Irmãos Menonitas locais ou com os jovens das escolas do bairro.

Além disso, por meio de espaços formais e informais onde nos reunimos para compartilhar comida e sucos deliciosos com membros da comunidade, tenho aprendido sobre a hospitalidade e beleza da Chocoanos. Em comunidades rurais como Bebedó, vejo coisas que realmente importam para as pessoas daqui, como passar mais tempo em suas fazendas, nas áreas de mineração ou se cumprimentar  dizendo “Deus te abençoe”!

Acredito que o processo de aprendizagem sobre minha comunidade tem me proporcionado experiências bonitas e difíceis. Em primeiro lugar, tenho visto a beleza de morar em Istmina através das ações de membros da comunidade. Por exemplo, uma vez ficamos sem água em casa e nosso vizinho logo nos disse: “fiquem à vontade para usar a água aqui de casa se precisarem escovar os dentes ou tomar banho”. Momentos como esse me dão a oportunidade de reconhecer bondade e beleza nas pessoas em Istmina.

Também vejo beleza em com os comerciantes de Istmina – homens e mulheres – estão preocupados em melhorar seus negócios. Sempre me abordam dizendo: “Você fala Inglês, pode me ensinar Inglês para que eu possa tornar um profissional melhor? “Isso para mim (por menor que pareça) significa que as pessoas acreditam que podem melhorar suas próprias vidas, seu sustento e toda comunidade.

Por fim, encontro beleza em experiências significativas, como visitar fazendas, às margens do rio San Juan, que recebem apoio da Fagrotes. (Fundación Agropecuaria Tejiendo Esperanza – Fundação Agropecuária Tecendo Esperança). Momentos como esses me dão oportunidade de aprender mais sobre práticas agrícolas, tais como a poda e o enxerto em plantas de cacau. Me dão também a oportunidade de praticar espanhol com os agricultores.

No entanto, a beleza de aprender e de viver em minhas novas comunidades vem com alguns desafios, um deles é a barreira da língua. Por conta do meu pouco conhecimento em espanhol, às vezes eu sinto que perdi minha independência. Isso é porque eu tenho que confiar em meus companheiros ao me integrar e aprender sobre minha nova comunidade. Acredito que ao mesmo tempo em que isso pode ser uma benção, também acaba me frustrando bastante. Mas também reconhecemos que a frustração é uma parte do processo de aprendizagem e integração da comunidade.

Lentamente, aprendo a tornar momentos frustrantes em belos, através de uma estratégia de desenvolvimento comunitário que é seguir ao invés de liderar, escutar as vozes dos membros da comunidade e parceiros da CCM e aprender o que tem sido feito para transformar suas comunidades.

Afinal de contas, tem sido uma grande jornada até agora e acredito que todas essas experiências têm sido uma grande fonte de alegria, aprendizagem e cura. Abaixo seguem fotos que descrevem algumas das minhas experiências em Chocó.

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Traduzido por: Carolina Gouveia