A Paz Perfeita

Desde meus primeiros dias aqui na Colômbia, sinto a energia e a alegria desse país em relação aos acordos de paz. “Meio século de guerra está com seus dias contados”, era o que eu mais ouvia. Rapidamente fui contagiada por essa esperança e, junto com eles, assistindo diante da TV, como muitas vezes assistimos a um jogo de futebol, celebramos as assinaturas, igual comemoramos um gol. Foi realmente emocionante!

O pacto da Havana prevê acordos e compromissos em seis pontos: reforma rural, participação política dos ex-combatentes da guerrilha, cessar-fogo bilateral e definitivo, solução ao problema das drogas ilícitas, ressarcimento das vítimas e mecanismos de implementação e verificação.

Mas isso é só uma das muitas etapas para chegar à paz de maneira efetiva. Cabe agora à população colombiana se manifestar em relação aos tópicos discutidos em Havana. E, para isso, no dia 2 de outubro, será realizado um plebiscito com a seguinte pergunta: ¿Apoya el “Acuerdo final para la terminación del conflicto y la construcción de una paz estable y duradera”?

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ECAPeros assistem a assinatura dos Acordos de Paz (foto crédito: Caldwell Manners)

No fim de semana do dia 3 de setembro, Chris Knestrick – coordenador de projeto de CPT Colombia -, e eu acompanhamos a equipe de Justapaz em uma oficina sobre transformação de conflito, ministrado por Angelica Rincon, na comunidade de El Guayabo. Ao chegarmos à comunidade, fomos recebidos com um café da manhã delicioso, oferecido por Virginia. Perguntamos a ela se já havia decidido se votaria sim ou não. “Vou votar que sim, mas pra ser sincera, não sei o que isso significa. Vou votar porque isso é o que as organizações estão falando pra gente fazer”.

No segundo dia de oficina, foi destinado um momento para falarmos sobre os acordos. Juan Manuel Martinez, advogado de Justapaz, explicou cada ponto dos acordos e quais seriam as possíveis implicações para cada resultado ao plebiscito. Foi aberta a oportunidade para perguntas e inquietudes, e foi interessante ver a postura da comunidade de muita sede de informação e abertura para melhor compreensão do que realmente significou os Diálogos de Paz.

Juan Manuel explicou a parte mais importante dos acordos: a reparação às vítimas. As vítimas do conflito armado causado pelas FARC serão reparadas da seguinte forma, dentre outros direitos: Justiça por meio da penalidade aos autores, restituição e garantia de não repetição. Ao final, os campesinos e campesinas demostraram um realismo muito interessante. El@s não sofreram com a guerrilha, mas sabem muito bem a violência que o conflito armado produziu. Sofrem ameaças e violências por paramilitares. “Somos privilegiados por não viver consequências da guerrilha, mas temos que nos colocar no lugar daqueles que têm sofrido”, disse Edson Peinado.

No devocional dessa manhã, @s campesin@s compartilharam o que, para el@s, significa a paz. Chela é casada com Erick e tem três filh@s. Ela, como muit@s, tem sofrido e visto sua família sofrer por conta da violência e injustiça que campesinos sofrem. Chela disse que “essa paz que  nos prometem na verdade nunca será perfeita, só a paz que Deus nos concede é perfeita”. E eu concordo com a Chela. E acredito também que a paz que Ele nos prometeu em João 14:27, a paz que Ele nos deixou e o convite que nos fez para não termos medo não foi uma promessa de que nossas vidas seriam fáceis. Não devemos ter medo porque Ele está conosco, Deus está com a Colômbia, e a ajudará a superar essa guerra e caminhar para a paz. E eu não tenho palavras para expressar o privilégio de estar vivendo com colombianos e colombianas esse momento lindo es histórico para esse país!

Por: Carolina Gouveia