Ser, acompanhar e conhecer: Uma reflexão sobre um ano de Semilla na Colômbia

Durante esse primeiro ano de Semilla tive muitas oportunidades de perguntar, aprender e acompanhar. No meio de muita beleza e de muitas complexidades, quero reconhecer e dizer obrigada por todas as experiências desse ano que me desafiaram, me ajudaram a crescer e me permitiram aprender a viver e ser parte de uma nova comunidade. De todas essas experiências, gostaria de ressaltar três.

  1. Ser parte do equipe de Semilla. Somos um grupo diverso, de seis países diferentes com experiências e posturas diferentes, mas temos a oportunidade através de Semilla de construir juntos e juntas uma equipe. Durante alguns meses de orientação em Bogotá e no projeto Semilla durante o ano, temos a oportunidade de aprender sobre o contexto colombiano, sobre nós mesmos e juntos e juntas explorar como acompanhar uma comunidade e participar no trabalho da construção de paz. Sou grata por cada pessoa na equipe e pela oportunidade de compartilhar e aprender através das diversas experiências que estamos vivendo durante esses dois anos em Semilla.
  1. Acompanhar o trabalho social da igreja. Como semillera, uma parte importante do meu papel é acompanhar os ministérios sociais da igreja Irmãos Menonitas, sócio de CCM aqui no Chocó. Este ano tive a oportunidade de participar num programa juvenil, um programa de saúde sexual e reprodutiva e na fundação agrícola da igreja que ajuda os campesinos a cultivar arroz e cacau. Em particular, fiquei impressionada com o desejo de muitas pessoas na igreja de compartilhar um evangelho integral nas suas comunidades, de ajudar as pessoas com necessidades e de trabalhar pra transformação da sociedade. Notei que existem comunidades na região que se sentem muito apoiadas e acompanhadas pela igreja e me sinto grata de poder aprender muito mais sobre o contexto e o papel da igreja.
  1. Conhecer as pessoas acolhedoras e resilientes de Chocó. Sou muito grata pelas pessoas aqui na igreja e na região que me têm acolhido e me ajudado a me sentir em casa apesar de estar num contexto diferente. As pessoas me oferecem comidas deliciosas e compartilham seu espaço e seu tempo. Apesar de morar num contexto complicado, com grupos armados, negligência do governo, pobreza e degradação ambiental, existe também muita resiliência. As pessoas construíram e continuam construindo vidas e comunidades com muita beleza. Eu sei que não é fácil receber uma pessoa que vem de uma cultura e um contexto muito diferente, mas sou muito grata pelas pessoas que têm me compartilhado suas historias e suas vidas.

Entre muitas outras coisas, acho que participar em Semilla é uma oportunidade de construir pontes, formar e cultivar conexões. No meio de muita injustiça e divisões, acho que é ainda mais importante procurar maneiras de entender melhor a nós mesmos e de juntos e juntas sermos transformados. Esse último ano me permitiu explorar essas idéias e começar a cultivar relações dentro da equipe, com o sócio e nas comunidades aqui em Chocó e estou aprendendo muito sobre eu mesma, sobre o contexto, a igreja e a construção da paz.

Por: Carrie Vereide

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