Tecendo Esperança por meio de Cultivos de Cacau

Simon Eliecer Valencia Moreno é um agricultor que mora com sua esposa em Paimadó, uma comunidade rural em Chocó, Colômbia,  onde também moro e acompanho à igreja Irmãos Menonitas em meu papel como Semillera. Como em muitas outras comunidades rurais na região, só se pode chegar à Paimadó por água, e Simon, assim como outros agricultores, tem enfrentado desafios difíceis.

Nas comunidades rurais de Chocó existem poucas possibilidades para o melhoramento econômico e a agricultura é complicada devido à presença de grupos armados, à pressão de produzir culturas ilícitas e fumigações que causaram dano ao meio ambiente, que acabaram com legítimas culturas alimentícias e prejudicaram a saúde humana. A mineração informal e mecanizada também têm causado degradação ambiental na região.

Em resposta à esta situação desafiadora, Fagrotes (Fundação Agropecuária Tecendo Esperança), uma organização fundada pela igreja local dos Irmãos Menonitas, iniciou, há quatro anos, um projeto de cultivo de cacau (utilizado para fazer chocolate). Com o apoio de Fagrotes, Simon e outros agricultores na região começaram a cultivar cacau.

Com o intuito de promover a produção de cacau, a fundação espera gerar oportunidades de emprego e maiores rendas para os agricultores locais. Produzir cacau dá aos agricultores uma alternativa econômica viável no lugar de produzir culturas ilícitas “para que os habitantes [das comunidades rurais] tenham uma melhor qualidade de vida,” segundo Jesús Alfredo Benítez, pastor da igreja regional dos Irmãos Menonitas que também trabalha com a fundação agrícola.

Em San Antonio Fagrotes cultiva cacau para experimentar com várias técnicas agrícolas.

Em San Antonio Fagrotes cultiva cacau para experimentar com várias técnicas agrícolas.

Assim como outros agricultores da região, Simon plantou, há tres anos, três hectares de cacau com dois mil árvores fornecidas por Fagrotes. Ele já tinha experiência cultivando borojó, uma fruta da região que se utiliza principalmente nos sucos, a qual continua mantendo, mas não tinha experiência cultivando o cacau.

“Não sabíamos a respeito [de produção de cacau], mas já temos o conhecimento por meio da fundação e a capacitação que nos deram,” disse Simon.

Além de manter sua própria plantação de cacau com sua esposa, Simon teve a oportunidade de trabalhar como um assistente local com a fundação e monitorar e apoiar outras pessoas que cultivam cacau. “Eu visito plantações e anoto o que está bem e o que falta. Com coisas que já sabem [sobre cultivar cacau], aconselho os companheiros e lhes convido a minha granja também,” ele notou.

O cacau é uma cultura que requer pelo menos dois anos de manutenção para começar a produzir fruta e até cinco anos para alcançar sua produção máxima. Anteriormente, a granja de Simon tinha produzido mais ou menos 50kg de cacau, os quais ele vendeu à fundação por um preço justo. E, com o trabalho duro que ele e sua esposa têm invertido na sua granja, teve sua primeira produção significativa de cacau nessa temporada. “Me sinto satisfeito com a fundação,” disse Simon. “[Minha esposa e eu] estamos agradecidos e eu sei que tem outras pessoas que estão agradecidas também.”

Embora os agricultores continuem enfrentando muitos desafios, a fundação espera “tecer esperança” com culturas de cacau e sua capacidade de dispor uma alternativa econômica para os agricultores em Chocó. Como observa Jesús Alfredo Benítez, “A resposta da comunidade tem sido de aceitar o projeto,” e “as comunidades estão muito agradecidas pela fundação.”

A fundação gera confiança com as comunidades da região por acompanhar pessoas que cultivam cacau e por providenciar apoio em resposta às necessidades específicas, como a de vários agricultores, inclusive o próprio Simon, que há pouco tempo perderam muitas culturas devido às graves inundações na região.

Desde que começou o projeto de cacau, Jesús Alfredo Benítez também notou uma mudança nas ações do governo das fumigações aéreas à erradicação manual de culturas ilícitas. Isso se deve, pelo menos em parte, aos esforços da fundação e outras entidades ao orientar nacional e internacionalmente sobre o dano causado pelas fumigações.

“Estou apaixonado pelo que a fundação está fazendo e acredito que posso continuar avançando por meio de cultivos de cacau,” expressou Simon.

Por: Carrie Vereide

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