Reflexões sobre Soweto

Durante nossa orientação geral com o  Comitê Central Menonita na África do Sul, @s nov@s Semiller@s tiveram oportunidade de visitar Soweto, um bairro criado durante o apartheid para segregação de negros. Durante nossa visita, aprendemos e discutimos sobre vários temas históricos, incluindo o poder e privilégio dos colonos brancos, a segregação racial sob mandato político, a luta pela liberdade e igualdade e também como Nelson Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul. Aprendemos muito mais do que podemos compartilhar aqui, então cada um(a) de nós escolheu uma reflexão sobre nossas experiências.

Brendah

Creio que o que mais me chamou atenção durante nossa orientação foi a história de Hector Pieterson na luta pela liberdade e igualdade na África do Sul durante o apartheid. A polícia Sul-Africana matou Hector Pieterson, em 1976, ao atacarem estudantes que protestavam contra a implementação do Afrikaans, uma língua não nativa da África, como o idioma principal de ensino nas escolas. Ao refletir sobre esta viagem, eu escrevi algumas palavras que descrevem os meus pensamentos e reações durante a nossa visita ao Museu Hector Pieterson.
Foto do lado de fora do Museu Hector Pieterson - Hector Pieterson sendo carregado por outro estudante, depois de ser baleado pela polícia

Foto do lado de fora do Museu Hector Pieterson – Hector Pieterson sendo carregado por outro estudante, depois de ser baleado pela polícia

Hector Pieterson foi …
Uma história de tragédia e esperança
Uma história de sacrifício humano – do sacrifício de uma criança
Uma história de brutalidade policial
Uma história que fez com que o mundo conversasse.
Uma conversa que denunciou a violência e injustiça que tirou a vida de Hector
Uma conversa que garantiu a libertação política, econômica e social dos negros na África do Sul.
Mas, eles já alcançaram?
No entanto, Hector Pieterson foi e é uma história para assistir, contar e homenagear para sempre.

 

Torres Orlando em Soweto

Torres Orlando em Soweto

Daniel

As orientações na África do Sul e na Colômbia me lembraram de maneira mais concreta que as palavras por si só não podem capturar totalmente a realidade. Esta lição ficou mais clara em Soweto.

Embora eu seja ignorante em relação a muitos detalhes, sei do apartheid já há muito tempo, ou pelo menos eu achava que sabia. Escutando sobre apartheid enquanto via casas, ruas, lugares e pessoas, foi possível trazer cor, forma e correções das imagens obscuras da minha imaginação. A desigualdade, a injustiça e o sofrimento abstrato foram coisificados e se tornaram mais tangíveis e incômodos. Eu posso não ser Sul-africano, mas sou ‘branco’, e enquanto estava em Soweto, tive uma sensação constante de culpa, sem saber se deveria sentir ou não. Com egocentrismo eu me perguntava: ‘Como as pessoas me veem aqui?

Na Colômbia, a história é totalmente diferente mas ao mesmo tempo muito semelhante. Atualmente estou vivendo em Chocó, uma região muito pobre, habitada em sua maioria por afro-colombianos, descendentes de africanos trazidos para a Colômbia como escravos. As diferentes realidades neste contexto tem se tornado cada vez mais vivas e pessoais para mim ao tempo em que conheço melhor as circunstâncias e as  pessoas. Agora procuro saber de maneira mais consciente ‘Como os chocoanos me veem’.

As reflexões não pararam depois da nossa orientação na África do Sul e durante a orientação em Bogotá, dialogamos sobre o poder, o privilégio, a injustiça, as vítimas de violência, como eles se encaixam no reino de Deus e sobre a teologia da paz. Nossas perguntas de Soweto persistem e agora se juntam com novas questões a partir das experiências que tivemos na Colômbia. Só com o tempo vamos ver se é possível encontrar ou não algumas respostas satisfatórias às nossas preocupações e, em caso afirmativo, quais serão os discursos e ações que farão parte dessas respostas.

Por: Brendah Ndagire e Daniel Christie

* Todas as fotos da Brendah Ndagire

Traduzido por: Carolina Gouveia